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| Sessão Solene na Câmara presta homenagem à Dra Zilda Arns |
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Matéria publicada em:
08/03/2010
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Atendendo a um requerimento apresentado pelo deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR), a mesa diretiva da Câmara dos Deputados realizou hoje, dia 8 de março, uma sessão solene em homenagem à Dra Zilda Arns. Para marcar a homenagem, ficou registrado nos Anais da casa um discurso do deputado Alfredo Kaefer, para quem o trabalho da Dra Zilda Arns ultrapassa fronteiras e transcende gerações.
Abaixo o discurso na íntegra:
A homenagem prestada pelo Parlamento Brasileiro à Dra Zilda Arns é uma das mais justas prestadas a essa grande brasileira. Como já dissemos, reiteradas vezes, o Brasil tem o dever de preservar a memória de suas grandes personagens, cujo legado transcende gerações. Pois esse é o caso da Dra Zilda, uma grande mulher, que doou seu tempo e sua vida para salvar outras vidas.
Queremos agradecer ao presidente Michel Temer e à Mesa da Câmara, pela decisão inspiradora em atender ao nosso requerimento e marcar a data dessa justa homenagem neste 8 de março, quando comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Não fazemos mais do que nossa obrigação ao homenagear a criadora da Pastoral da Criança. Uma Mulher, uma brasileira e também uma cidadã do mundo. A Dra Zilda está naquele lugar da história dedicado às pessoas especiais, que conseguiram suplantar as barreiras gerográficas do seu país. Ela conseguiu plantar a semente da Pastoral em outros países e até em outros continentes. Na longínqua África, na América Central, no Haiti, onde infelizmente perdeu a vida cumprindo seu destino e sua missão.
Mas é nas periferias desse imenso Brasil que Dra Zilda ganhou a dimensão que lhe coube. Em cada casebre, em cada barraco onde houvesse uma criança subnutrida, sob risco de vida, ali estava ela, ali estava a Pastoral. E ali ela continua, pela obra das milhares de voluntárias da Pastoral da Criança.
Falo com orgulho da Dra Zilda Arns. Embora catarinense de nascimento e paranaense por adoção, Dra Zilda transformou-se numa personagem da nossa história a ser lembrada em várias linguas. Mas foi no Paraná que esse monumental trabalho da Pastoral começou, em 1983, na Paróquia São João Batista, no município de Florestópolis. E por que lá e não em Curitiba ou São Paulo ou Brasília, onde seu trabalho teria maior visibilidade? Porque Florestópolis tinha um dos mais elevados índices de mortalidade infantil do país: 127 crianças por cada mil nascidas vivas. Diante desses números, a CNBB e Don Paulo Evaristo Arns convocaram a médica Zilda Arns para um dos maiores desafios da sua vida: mudar o curso da história.
A condição social de Florestópolis era muito parecida com outros milhares de municípios desse imenso Brasil. Números vergonhosos de um país que não cuida de suas crianças. Pois o desafio foi aceito e a luta vencida. Atualmente a Pastoral atua com quase 300 mil voluntárias e acompanha 2 milhões de famílias em todo o país. É um trabalho movido, antes de qualquer outra coisa, pelo amor. Não há remuneração. A Pastoral é formada por voluntárias, que nenhuma paga recebem a não ser a esperança de um futuro melhor e a certeza de estarem mudando a perspectiva de vida de milhões de brasileiros.
O legado da Dra Zilda é imensurável sob o ponto de vista social e humano. Não há em nenhum outro lugar do mundo uma obra igual ou similar. Não há outra ação humanitária dessa magnitude, nem mesmo nos países africanos que receberam ajuda internacional para combate à fome e à pobreza. E por quê? Porque a Pastoral não é uma “campanha”. Não é um momento estanque, que começa aqui e para logo ali adiante. A pastoral é definitiva, é permanente e se realimenta da própria esperança que cria nas pessoas. A Pastoral da Criança não depende de ‘Megashows’ de rock ou da mobilização de artistas de renome mundial para salvar vidas. Ela depende apenas do amor e da caridade individual de cada voluntário. É a velha fórmula pregada por Jesus Cristo há dois mil anos: “Ama a teu próximo como a ti mesmo”. Esse é o verdadeiro legado da Dra Zilda Arns: “Ama a teu próximo como a ti mesmo e transforma esse amor em obras”.
Outro dia fui questionado por um paranaense, quanto às homenagens póstumas que fazemos. Ele nos lembrava de que precisamos homenagear as pessoas em vida, de forma que elas possam ver reconhecido o trabalho que desenvolvem. Felizmente, no caso da Dra Zilda Arns, não faltou reconhecimento à sua obra. Ou melhor, faltou uma: o reconhecimento que poderia ter vindo com o Prêmio Nobel da Paz, depois de quatro indicações. Mas se o mundo não foi capaz de entender a dimensão da Pastoral, nós soubemos e saberemos honrar esse trabalho.
Desejamos apenas que o exemplo da Dra Zilda possa estimular nossos governantes a olhar com mais carinho para as crianças e para a Educação. São elas – crianças e Educação – que vão garantir um futuro melhor para o Brasil. |
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